Até onde pode ir a burocracia
Este Domingo, ao desfolhar o Diário de Notícias, deparei-me com uma carta enviada por uma leitora ao referido jornal, a descrever uma situação no mínimo insólita: a Segurança Social pede a contribuição a um pessoa falecida há… 25 ANOS!!!! Não estou a dizer que isto seja assim tão escandaloso que mereça referência numa primeira página de um jornal, até porque pode ter havido alguma actualização na base de dados, ou no software de introdução de dados, e acidentalmente pode-se ter cruzado informação. Também não me parece que seja de solução difícil esta situação, no entanto vou transcrever a carta da senhora, para terem uma noção do transtorno que lhe causou:
Sou filha de uma ex-beneficiária da Segurança Social e recebi uma notificação para o pagamento de contribuições de 2002/2003 a 2004/20006 que me deixou indisposta e extremamente revoltada, mas convencida de que tal anomalia iria ser de pronto detectada e corrigida. Não calo a minha rvolta perante a segunda notificação, em que me pedem o pagamento de contribuições de Janeiro de 2006 a Agosto de 2007, sob pena de efectuarem cobrança coerciva da dívida. Como é possível que nesta situação surreal:
- Não haja ninguém nos serviços que detecte que a minha mãe já faleceu há 25 anos?
- Solicitem pagamento de contribuições de 2002 a 2007?
- Não atendem os telefones para qualquer esclarecimento, obrigando os contribuintes ou os seus representantes a deslocações, perdas de tempo e de dinheiro, para resolver anomalias dos próprios serviços?
- Os serviços de atendimento local, após horas de espera, respondam a estas anormalidades com frases tipo “Se quer resolver a situação tem de pedir cópia da certidão de óbito” e escrever uma carta que nós aqui não resolvemos nada, quando naturalmente a mesma deve ter sido apresentada na época para atribuição do subsídio de funeral. Para obter a certidão tive de reviver a dor da perda com deslocações ao cemitério.
(…) Estará o nosso Estado tão desesperado para arranjar verbas para cobrir os gastos desnecessários que ele próprio faz que queria cobrar contribuições da Segurança Social de há seis anos, a uma pessoa que já faleceu há 25 anos? E que raio de sistema é esse tão eficaz que não detecta erros destes? Que obriga as pessoas a viver de novo toda a dor da perda para reparar uma situação criada por esse mesmo sistema?
Olga Rodrigues
Cova da Piedade
in Diário de Notícias, 4 de Maio e 2008
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Imagine como eh no Brasil, onde pessoas mortas RECEBEM beneficios do inss
Isso ai tah + com cara de bug de sistema de banco de dados cadastrais do que de corrupção.