Tudo sobre o novo acordo ortográfico

Falar sobre o novo acordo ortográfico implica saber que em termos históricos já se fizeram várias tentativas de unificação da ortografia da língua portuguesa, sendo que a primeira data de 1911, que culminou em Portugal na primeira grande reforma. Depois existiram várias tentativas, sendo a mais importante a de 1990 que é a que está por trás de todo o celeuma levantado actualmente sobre esta questão.
Quando vai entrar em vigor este acordo?
Seguindo o disposto numa reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Julho de 2004 em São Tomé e Príncipe, ficou decidido que para o novo acordo entrar em vigor, bastaria que três países o ratificassem. O Brasil em Outubro de 2004, Cabo Verde em Abril de 2005 e São Tomé em Novembro de 2006 ratificaram o acordo, estando assim cumprido o disposto nessa reunião da CPLP. Em Portugal, este acordo foi ratificado pelo Governo a 6 de Março de 2008, faltando a aprovação no Parlamento ou pelo Presidente da República. Caso seja aprovado, entrará imediatamente em vigor, no entanto está permitida uma fase de adaptação de 6 anos onde são permitidas as duas grafias.
O que muda, afinal?
O alfabeto português passará de 23 para 26 letras, com a inclusão em definitivo do k (capa ou cá), do w (dáblio, dâblio ou duplo vê), y (ípsilon ou i grego).
O uso de maiúsculas e minúsculas obdece a novas regras:
- os meses do ano e os pontos cardeais deverão ser escritos em minúsculas (janeiro, fevereiro e norte, sul, etc.).
- poder-se-á usar maiúsculas ou minúsculas em títulos de livros, no entanto a primeira palavra será sempre maiúscula (Insustentável Leveza do Ser ou Insustentável leveza do ser)
- também é permitida dupla grafia em expressões de tratamento (Exmo. Sr. ou exmo. sr.) em sítios públicos e edifícios (Praça da República ou praça da república) e em nomes de disciplinas ou campos do saber (História ou história, Português ou português)
A supressão de consoantes mudas tal como o nome indica, vai levar ao desaparecimento de consoantes, em que o critério para tal é a sua pronúncia.
- cc - ex.: transacionado, lecionar. Mantém-se em friccionar, perfeccionismo, por se articular a consoante.
- cç - ação, ereção, reação. Mantém-se em fricção, sucção.
- ct - ato, atual, teto, projeto. Mantém-se em facto, bactéria, octogonal.
- pc - percecionar, anticoncecional. Mantém-se em núpcias, opcional.
- pç - adoção, conceção. Mantém-se em corrupção, opção.
- pt - Egito, batismo. Mantém-se em inapto, eucalipto.
Passam a ser suprimidos alguns acentos gráfico em palavras graves: crêem, vêem, lêem passam a creem, veem e leem; pára, pêra, pêlo, pólo passam a para, pera, pelo e polo. As palavras acentuadas no ditongo oi e ei passam a ser escritas sem acento: estoico, paleozoico, asteroide e boleia, plateia, ideia. Existe também a supressão completa do trema(¨): aguentar (e não agüentar), frequente (e não freqüente), linguiça (e não lingüiça). Supressão do acento circunflexo em abençoo, voo, enjoo.
O uso do hífen vai ser suprimido em:
- palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o sufixo começa em r ou s, dobrando essa consoante: cosseno, ultrassons, ultrarrápido.
- o prefixo termina em vogal diferente da incial do sufixo: extraescolar, autoestrada, intraósseo.
- formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de.
O hífen emprega-se em:
- palavras compostas onde a última vogal do prefixo coincide com a inicial do sufixo, excepto o prefixo co- que se algutina ao sufixo iniciado por o: contra-almirante, micro-organismo, coobrigação.
- palavras que designam espécies da Biologia ou Zoologia: águia-real, couve-flor, cobra-capelo.
Pode existir dupla grafia em algumas palavras?
Sim. Isso está previsto no novo acordo por existirem diferenças na pronúncia de país para país assim temos:
| característica | caraterística |
| intersecção | interseção |
| infeccioso | infecioso |
| facto | fato |
| olfacto | olfato |
| conceção | concepção |
| súbdito | súdito |
| amnistia | anistia |
| amígdala | amídala |
| súbtil | sútil |
| académico | acadêmico |
| ingénuo | ingênuo |
| sénior | sênior |
| cómico | cômico |
| vómito | vômito |
| fémur | fêmur |
| abdómen | abdômen |
| bónus | bônus |
| bebé | bebê |
| puré | purê |
| judo | judô |
| metro | metrô |
| andámos | andamos |
Argumentos a favor
- aproximação da oralidade à escrita
- actualmente a Língua Portuguesa é a única que tem duas grafias oficiais
- simplicidade de ensino e aprendizagem
- unificação de todos os países de língua oficial portuguesa
- fortalecimento da cooperação educacional dos países da CPLP
- evolução da língua portuguesa
- pequena quantidade de vocábulos alterados (1,6% em Portugal e 0,45% no Brasil)
- o português é o 5º idioma mais falado no mundo e o 3º no mundo Ocidental. A unificação das grafias permite aumentar, ou pelo menos manter a força da Língua Portuguesa no panorama mundial
Argumentos contra
- evolução não natural da língua
- tentar resolver um “não-problema”, uma vez que as variantes escritas da língua são perfeitamente compreensíveis por todos os leitores de todos os países da CPLP
- desrespeito pela etimologia das palavras
- a não correspondência da escrita à oralidade. Por exemplo, existem consoantes cuja função é abrir vogais, mas que o novo acordo considera mudas nomeadamente em tecto, passando a escrever-se teto, dever-se-ia ler como teto (de seio)?
- processo dispendioso (revisão e nova publicação de todas as obras escritas, os materiais didáticos e dicionários tornar-se-ão obsoletos, reaprendizagem por parte de um grande número de pessoas, inclusivé crianças que estão agora a dar os primeiros passos na escrita)
- o facto de não haver acordo, facilita o dinamismo da língua, permitindo cada país divergir e evoluir naturalmente, pelas próprias pressões evolutivas dos diferentes contextos geo-sócio-culturais como no caso do Inglês ou do Castelhano
- afecto com a grafia actual
- falta de consulta de linguistas e estudo do impacto das alterações
Em termos legais e jurídicos também parece haver falta de consenso:
«Vasco Graça Moura, escritor e tradutor premiado e deputado no Parlamento Europeu (e ex-advogado), o mais conhecido dos detractores portugueses do Acordo, defende que o Segundo Protocolo Modificativo, como qualquer outra convenção internacional, só obriga à sua aplicação em cada país se for ratificado por todos os países signatários, o que ainda não aconteceu. Ou seja, só depois de todos os países ratificarem este Protocolo é que estes ficam obrigados a implementar o Acordo internamente caso este seja ratificado por três países. A racionalidade jurídica dum tratado que obriga um país a aprovar outro tratado caso este seja aprovado por países terceiros é disputada. No entanto, o argumento da ilegalidade da ratificação do Protocolo modificativo de 2004 é contestado pelo jurista Vital Moreira[8].»
in Acordo Ortográfico de 1990 - Wikipédia, a enciclopédia livre
Por tudo o que foi dito, parece-me que ainda vai correr muita tinta, e muita discussão sobre este acordo. Como diz o ceguinho: “A ver vamos!”
Fontes:
- “atual - O novo acordo ortográfico” de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia
- Wikipedia
- Acordo Ortográfico: a perspectiva do desastre de Vasco Graça Moura
- Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Veja também:
Petição à Assembleia da República em prol de uma mais rápida implementação do Acordo Ortográfico
Petição contra o Protocolo modificativo do acordo ortográfico da Língua Portuguesa
Petição online / manifesto em defesa da Língua Portuguesa conta o Acordo Ortográfico
Reportagem na RTP1 sobre o novo acordo ortográfico
Reportagem do Jornal da Gazeta sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Nota: Se quiser, ou se tiver alguma correcção/adenda ou questão, por favor coloque-a nos comentários. Este artigo é dinâmico e a qualquer momento poder-se-á fazer alguma alteração caso seja para enriquecer o seu conteúdo!
Se gostou do post, por favor deixe um comentário ou subscreva o feed e receba mais artigos no seu leitor de feeds.
Artigos Relacionados:
Comentários
Olá
O futuro da língua portuguesa é dividir-se. Provavelmente dentro de alguns séculos, Portugal e Brasil falarão línguas diferentes como já ocorreu com o Português e Espanhol.
Esta iniciativa torna a língua mais simples mas acho que quer dar sobrevida à uma unidade que já não existe.
Uma curiosidade: a palavra tecto em Portugal corresponde a palavra teto que se lê “této”, no Brasil. Talvez esta palavra deveria estar na lista de palavras com dupla grafia.
Abraços.
Vicente Slobodas last blog post..O Melhor de Abril/2008 do Blog do Vicente
Que eu saiba aqui em portugal também tecto se pronuncia “této”.
Só os velhos do restelo têm medo do acordo.
Chegam ao cúmulo de se afirmar que os livros vão ser queimados….só rir. Como se alguem que tenha em casa 50 romances vá os deitar fora por causa de “c” e “p”. valha-nos santa ignorancia. E quanto à dupla grafia, apenas digo que com este acordo Portugal e brasil ficarão finalmente numa posição semelhante como entre estsdos Unidos e grã-Bretanha, porque os livros editados em cada um desses países não são “corrigidos” no outro, apesar das diferenças
De fato, os países que não ratificaram o Acordo Ortográfico (ou seus protocolos modificativos) dificilmente seriam obrigados a adotá-lo. Mas se Portugal e Brasil continuarem firmes na intenção de implementá-lo, o Acordo Ortográfico logo se tornará uma realidade inevitável, e todos os países lusófonos o adotarão.
Na minha opinião seria mais correcto o autor deste site dizer que está do lado do “nao ao acordo”, porque tenta parecer que é imparcial, mas tenta dar exemplos mais fortes do lado do “não”. Por exemplo é bom não esquecer que também existe uma petição na net a requerer aos deputados que o periodo de transição seja reduzido de 6 para 3 anos. Existem muitas razões a favor do acordo, mas eu direi duas:
1)Actualmente a Língua Portuguesa è a única no mundo que tem duas grafias oficiais: Português europeu, e Português brasileiro,(no inglês existe uma só Língua, embora com variantes diferentes conforme os países)e tanto é assim que se os brasileiros quiserem podem chamar à sua Língua “Brasileiro” porque os Portugueses consideram erro ortográfico a grafia “ótimo” e os Brasileiros consideram erro ortográfico o “óptimo”. Com isto os livros publicados por portugueses em Portugal se forem ao Brasil serão traduzidos para…Brasileiro e vice-versa. Ora se falássemos a mesma Língua nao haveria traduções. Os livros publicados por ingleses nao são alterados ou adulterados nos EUA…nem as vírgulas!!!! Porquê? Porque todos falam e escrevem inglês, apesar das diferenças. Assim com este acordo, Portugal e Brasil ficam finalmente numa posição semelhante a americanos e ingleses!!! O que dará força ao português no mundo.
2)A Língua Portuguesa é a terceira mais falado do Ocidente, cerca de 220 milhoes de falantes, contudo sem Acordo as diferenças entre os falantes serão cada vez maiores e provavelmente dentro de 30 anos ou menos haverá uma fractura. Resultado: Os brasileiros ficarão isolados do mundo com o seu brasileiro ou…portuhol, e Portugal será uma espécie de Hungria…ou Galiza, ou seja os nossos descendentes só poderão trocar impressões na net através do inglês, ora os nossos netos e bisnetos têm o direito de falar a sua Língua materna com o maior número possivel de pessoas de forma “natural”, o mesmo se pode dizer de brasileiros ou angolanos. Imaginem dentro de 200 anos um português trocar impressoes com um brasileiro em inglês ou…espanhol!!! É isso que queremos? Aconselho a todos uma maior abertura de espírito.
@ Paulo
Obrigado pelo comentário. Queria dizer apenas que tentei ser imparcial mas este material foi o que consegui juntar em algumas horas de pesquisa. Óbvio que o título é arrojado e não reflecte a realidade em 100%. Por isso também apelei à contribuição dos leitores, para que o pudesse completar. Agradeço a contribuição e o artigo será imediatamente enriquecido com o que escreveu! Gostava que se pudesse me deixasse o link para a petição que referiu!
Tiago, tem razão esqueci-me do link, por isso aqui vai,
http://www.gopetition.com/online/17740/sign.html
[...] fará sentido dar continuidade a este projecto se existir participação por parte dos bloggers de língua portuguesa. Registem-se aqui ou visitem-no apenas [...]
Este novo acordo é o maior absurdo que o governo conseguiu pensar para nos distrair de pensar noutras coisas mais sérias. É absolutamente rídiculo. Eles vão mutilar a nossa língua, umas das poucas coisas, devo dizer, de que os portugueses devem sentir orgulho. Como dizia Fernando Pessoa “A Minha Pátria É a Língua Portuguesa”. Visto que todos elogiam o homem como um grande português, deviam ter mais atenção ao que ele diz. Se formos interpretar o que ele escreve à luz deste novo acordo, basicamente estamos a dizer que somos brasileiros. Por amor de Deus, que falta de respeito para com a nossa língua.
As pessoas têm de perceber que a nossa língua evoluiu de maneira diferente e há que reconhecer essas diferenças em vez de tentar modificar a nossa língua. É rídiculo que os brasileiros tenham de modificar a língua deles muito menos do que nós temos de modificar a nossa. Afinal, de onde é que a língua deles surgiu? Não venham com histórias de que é para se juntarem ás línguas oficias da ONU que essa história não me convence. Os Americanos e os Ingleses têm as suas diferenças mas não os vemos esboçar uma espécie de Acordo Ortográfico. Acho que eles simplesmente ririam da ideia. O que é triste é que Portugal está tão desesperado para fazer uma boa impressão que tem de recorrer a coisas destas. Olhem, porque não nos juntámos aos espanhois e acabamos com isto? O rídiculo é que os partidos vão todos atrás deta ideia ridícula, o que só prova que temos incompetentes no governo.
As pessoas não pensam na repercursão que este acordo pode ter na vida dos portugueses e de como a revolta que muitos deles sentem por tal acordo vai acabar por nos fazer perder ainda mais portugueses para outros países. Eu, por exemplo, já disse que deixo de ser portuguesa se for para mudar a minha língua desta maneira. Eles fizeram perder o pouco respeito que tinha por Portugal ao mutilar a nossa língua milenar com este acordo. Era mais digno passarmos a ser uma colónia do Brasil e obrigarem-nos a aceitar a variante deles.
Como reagiriam todos os nossos grandes autores portugueses face a uma mudança destas? Muito provavelmente, como se sentem os nossos escritores actuais: REVOLTADOS! Qualquer um que tenha amor á nossa língua sabe melhor do que tratá-la assim, deste jeito.
Ah, como o diz o comentário do Paulo, é verdade que prenunciamos této aqui em Portugal como no Brasil mas, meu caro, também pronunciamos tá em vez de está e nem tão pouco significa que esteja correcto. Se formos pensar assim, porque fazer a distinção entre o Falado e o Escrito? Vamos todos escrever como falamos e veremos o que os nossos queridos professores de Português dizem de tal atitude?
E, por falar em professores de português, qual a opinião deles acerca desta matéria? Não se sabe de nada deles. É triste que os mais têm razões para se revoltarem estão de bocas fechadas. Por mim, fazíamos uma revolução a dizer Não ao Acordo Ortográfico. É necessário tomar uma atitude drástica para chamar a atenção dos ignorantes que estão a favor deste acordo.
Uma coisa é certa, eu recuso-me a modificar a minha escrita. A minha grafia é portuguesa e não pseudo-brasileira e não há nada neste mundo que vai mudar a minha opinião acerca deste assunto. Só sei que as editoras portuguesas vão sofrer porque rejeito qualquer livro português que contenha ação, ato, Egito ou qualquer outra das modificações que querem fazer. É desta que mudo para a Inglaterra e deixo de ser portuguesa. Que vergonha.
Fico muito triste com esta situação e ainda mais revoltada que estão a deixar que isto aconteça.
axo k u novo acordo ortografico
vai ser algo que só vai trazer complicaçõespara com os alunos e para a população em geral!!!
protesto!!!
Gente, aqui no Brasil também vamos mudar muitas coisas. Vocês agem como se fossem se ’submeter’ às nossas regras. Calma aí! Pra mim que sou brasileira soa ABSURDO escrever linguistíca e não lingüística, tirar o agudo de idéia então me dói as vistas. Mas temos que nos unir, vocês não percebem o quão político é esse acordo, um país forte tem uma língua forte, influente. Isso não acontece com a nossa porque acabamos tendo a necessidade de tradução dos livros daí pra cá. As editoras vão perder? NUNCA! Vão é ganhar podendo vender seus livros em Portugal, Angola e Brasil.
Vou estranhar muita coisa, mas acredito que seja mesmo necessário o acordo pra que possamos fortalecer nosso idioma.
Viva a Língua Portuguesa!
Bom dia,
Não se trata de um comentário mas de uma dúvida. Em 1911 em Macau - na altura Portugal e no continente em 1912, da-se os primeiros passos do então movimento de boys scouts, curiosamente introduzido por oficiais da marinha, quer em Portugal, quer no Brasil. Salvo erro, em 1912 em Portugal, o Jornal “O Século” organiza um concurso para encontrar uma palavra portuguesa que substituisse o termo “Boy Scouts”. Desse concurso surge a palavra escoteiro (aquele que viaja sem bagagem). Em 1914, o Brasil adopta a mesma terminologia. Ambos escrevem ESCOTEIRO - uns dizem escoteiro e outros dizem escuteiro. Mas em 1923, surge em Portugal o CNE - Corpo Nacional de Escutas, que começa a traduzir e a utilizar a palavra escuteiro, aproximando a terminologia à palavra escuta e à fonetica escuteiro.
O que eu gostaria de saber é se em Portugal vamos continuar a escrever ESCUTEIRO como defendem os diccionários de Portugal, apesar de todos os escoteiros da AEP escreverem escoteiro, ou vamos todos os lusofonos escrever ESCOTEIRO.
cumprimentos,
Paulino Lopes
@Paulino Lopes
O caso de Escoteiro e Escuteiro, parece-me encaixar no caso da dupla grafia, uma vez que a própria pronúncia pode ser diferente e porque estão aqui designados dois movimentos semelhantes em termos de essência mas bem diferentes. Resumindo, penso que não irão sofrer qualquer alteração estas duas palavras.
O que é interesssante notar nos dois vídeos, os argumentos de que ao adotar o Acordo brasileiros e portugueses estarão abrinado mão de suas “línguas”. Pelo fato de a língua estar estritamente ligada com a cultura de um país, sou contra o acordo. A questão a ser observada no exemplo citado do Inglês Britânico e o Americano é que as diferenças entre estas línguas são sutis, mas não sendo o suficiente paraimpedir que o um livro escrito em Inglês Britânico ao ser publicado nos EUA não tenha que ser “traduzido” visto que além das diferenças vocabular há também algumas diferenças sintáticas e vice versa. O fato é que esta dicussão durará.
Percebo nitidamente que as discussões referentes ao assunto em questão, são dominadas mais pela paixão do que pela razão. Infelizmente, alguns portugueses pensam ter o Brasil nascido do nada, mas ao contrário disto, talvez tenha sido a prima obra de Portugal. Deixemos o orgulho de lado e tentemos reafirmar os laços indissolúveis que nos unem, com acordo ou sem acordo!
Cumprimentos, de um filho de portugueses e brasileiro com orgulho!
REFORMA ORTOGRÁFICA IRRACIONAL
O gramático paulista Eduardo Carlos Pereira, no início do século 20, em sua “Grammatica Historica”, dizia que o sistema ortográfico ideal seria fonético e teria um só símbolo para cada fonema. Já observava ele que isto era impossível com as vogais porque existem mais sons vocálicos do que letras.
Então, os defeitos do Acordo Ortográfico são: 1)elimina o trema ao invés de eliminar os dígrafos “GU” e “QU”; 2)traz de volta as letras “W”, “Y” e “K”, para cujos fonemas já existem símbolos.
Parece-me que houve mais uniformização do que aperfeiçoamento.
Minhas saudações!
No caso de Escuteiro e Escoteiro, uns partilham de ideias religiosas e outros não, pelo que me explicaram - também não faço ideia.
No artigo, no ponto 1 de “o Hífen emprega-se em” está escrito “algutina” em vez de “aglutina”.
Bem, para já tenho de agradecer, digamos assim, a disponibilização de informação sobre o Novo Acordo Ortográfico, uma vez que irei efectuar no âmbito de Português uma apresentação oral argumentativa, e escolhi abordar este tem,a sendo que a mesma vai ser predominantemente contra.
Aqui pude encontrar mais alguns argumentos, tanto a favor como contra, e esclarece algumas coisas que pensava virem a ser diferentes… Mas mesmo assim, ainda que reconhecendo algumas vantagens, não vejo o NAO (curiosa sigla…) como algo que definitivamente não é prioritário, que vai baralhar as pessoas ainda mais do que elas já se baralham, e tornar a língua portuguesa uma coisa estranha… E não creio que a comparação com o caso do inglês europeu e o americano em termos de traduções, não foi a mais feliz… por acaso, não sabia que se traduziam os nossos livros no Brasil e vice-versa (talvez por nunca ter lido nada de autores brasileiros, não calhou…), mas realmente, parecem-me haver muitas mais diferenças, tanto na oralidade como na escrita, entre os dois “portugueses” do que entre os “ingleses” (aliás, em termos de linguagem escrita, raramente se descobre se estamos perante inglês europeu ou americano, a não ser que apareça alguma palavra especificamente usada apenas num dos países, daí que não seja necessário traduzir… já o português brasileiro difere bastante do nosso, por vezes sinto-me mais esclarecida em consultar um site em inglês do que em português do Brasil, principalmente se for de futebol (ora percebo cá eu de zagueiros e afins! Não, mesmo!)…
Aproveito para acrescentar um outro argumento contra:
a proliferação do copy-paste em trabalhos escolares, uma vez que existem inúmeros sites brasileiros que servem de suporte à realização dos mesmos, e muitos alunos portugueses só conhecem a função de copiar e colar para word/powerpoint, tornando-se mais difícil para o professor desconfiar do copy-paste se passar a ser correcto escrever “atual”, por exemplo… (bem, vamos ter sempre os “usuários”, os “mouses” e o “jogar” em lugar de “colocar”, pelo menos nos trabalhos de informática…)
Devo ainda acrescentar que a vantagem de aproximar a escrita à oralidade também tem o seu quê de desvantagem; por outras palavras, deveríamos antes fazer o oposto (adaptar a oralidade à escrita - que é o que está escrito ali em cima, mas não é o que se verificará), pois se formos pela oralidade de muito boa gente, qualquer dia vamos passar a ter um acordo com palavras como “vezinhos” (vizinhos), “internidade” (eternidade), “hadem” (hão-de), “poribido” (proibido), entre muitos outros exemplos que me levam a pensar frequentemente que não há no mundo quem fale/escreva pior português do que os próprios portugueses…
Ah, e também, cuidado com as escritas, dado que eu não vou querer MESMO um acordo que contemple o protótipo juvenil (não de todos os jovens, eu sou uma e não me incluo aí, não) do “xkrever axim poh yrrytanteh, tipuh keh a teh ah maix trabalhu i todu!” Se fizerem um acordo assim, mudo de nacionalidade! Abreviaturas, mesmo com k’s e x’s, são úteis no telemóvel, e vá, no messenger também não são de deitar fora, mas esticar e escrever de forma retardada não tem vantagens, dá trabalho a escrever e a perceber, e conduz quem escreve assim a escrever mal em testes, impressos, etc.
Para finalizar, uma dúvida:
Os acentos e consoantes “mudas” nos nomes das pessoas vão conduzir a alterações? Eu vou deixar de ser “Vânia Patrícia Padrão Mendonça? É que, se sim, esqueçam lá isso, prefiro passar a ter nega por escrever mal o meu próprio nome do que perder a minha identidade como ser único que sou e que cada um de nós é!
Obrigado pelas informações! Cumprimentos!
(o meu comentário foi o maior, wiiiii! :D)
ERRATA:
Onde se lê: “esclarece”, deve ler-se “esclarecer”
Onde se lê: “não vejo o NAO (curiosa sigla…) como algo que definitivamente não é prioritário”, deve ler-se “não vejo o NAO (curiosa sigla…) como algo prioritário”
Onde se lê: “E não creio que a comparação com o caso do inglês europeu e o americano em termos de traduções, não foi a mais feliz…”, deve ler-se: E não creio que a comparação com o caso do inglês europeu e o americano em termos de traduções, tenha sido a mais feliz…”
(isto de comentar com pausas faz-me perder o fio à meada…)
Gostaria ainda de acrescentar que não penso que será o NAO que vai acabar com as traduções de português brasileiro para português de Portugal, e vice-versa, uma vez que não é isso que as pessoas não entendem, mas sim algum vocabulário diferente, o qual não sofre alterações, pois isto é um acordo ortográfico e não vocabular…
(um argumento a favor a menos?)
Alguns softwares, na hora da instalação, já trazem as opções: português (Portugal) ou portugûes (Brasil).
Acho que cada país deveria ser independente também no idioma. Cada um que faça a sua reforma como achar melhor e pronto. Teremos o português de Portugal e o português do Brasil, nem por isso o mundo vai acabar.
Não quero iniciar uma thread em off-topic, mas “telemóvel” faz todo o sentido, vem de telefone, só que é móvel!… daí, telemóvel! Obviamente que se o Batmobile também está no ramo na mobilidade, mas antes dos transportes, existem semelhanças na formação das palavras, nomeadamente no recurso a “móvel”, um elemento de formação de palavras que transmite a ideia de possibilidade de movimento.
Mas concordo consigo, apesar de ter algumas vantagens, não morre ninguém por haver diferenças nos dois países, e pelo menos cá em Portugal, há mais em que pensar, o Governo devia antes tratar da crise financeira e social e deixar o NAO para quando não tiverem mesmo mais nada para fazer…
Ola. Acho que o mais importante seria considerar a ausencia de necessidade de uma padronizacao oficial, normativa e impositiva. A anarquia linguistica aliada a uma normatizacao somente em termos de criterios de diagramacao do texto (por exemplo: como apresentar textos oficiais, dias da semana, etc) seria ideal, libertaria e frondosa.
Parece que o acordo ortográfico tem ferido o orgulho patriota de bastantes portugueses. É “anti-linguístico” pensar na língua como algo estático em todas as suas duas variações. Conservadorismo é um substantivo que não se associa com a dinâmica de nenhuma língua, salvo o latim e outras línguas mortas. Seria como tirar do ser humano a possibilidade de ser mudar, se transformar. Foi por esse processo natural e constante de todas as línguas somado ao contexto sócioeconômico da época que o latim se diferenciou em todas as línguas que conhecemos hoje.
O que me parece é que existe algo mesquinho e egoísta que não deixa perceber que não se trata de uma briga pela legitimidade linguística, estamos nos adaptando necessidades de sobrevivência do mundo atual. O que somos nós, lusófonos, comparados às potencias anglossaxã e hispânica? Talvez juntos passemos a ser mais do que sozinhos…
Além disso, as diferenças entre português do Brasil, de Portugal ou de Angola continuarão existindo. Melhor, coexistindo.
Mais interessante, não?
O que importa mudarem as regras ou fazerem o acordo?
Temos no Brasil uma grande quantidade de “dialetos locais” que parecem até outra língua.
Basta começar a usar nos meios de comunicação que rapidamente se implanta. Lei nenhuma vai conseguir isso apenas por imposição.
tiipw asho que isso eeh um ABSUURDO, aaf, só vai coomplica maiis agente que estuuda, e as palaavraas coomo VOO, ENJOO vaai fiica pratiicamente sem sentiido, asho que deveeriia fiica do jeeito que ta que ta OTIMO –’:D
sinceramente… de que adiantará mudarmos algumas regras da Língua Portuguesa se a educação brasileira continuar horrível do jeito que está!!!


[...] ler aqui uma súmula do Aborto [...]